Não é somente na música sertaneja (argh!!!) que as duplas funcionam. No rock e no pop o conceito dupla ou casal sempre deu certo. Se começarmos pelas décadas de 50 e 60 encontraremos casais como Sonny & Cher, Ike & Tina Turner e mais duplas famosas como Everly Brothers, Jan & Dean e Simon & Garfunkel.
Leia os outros colunistas Muitas dessas duplas tem histórias de sucesso e finais desastrosos, como foi o casal Ike e Tina Turner, que terminou num divórcio conturbado, com Tina Turner sofrendo até espancamentos de seu marido Ike. Na década de 70, o conceito duos deu uma esfriada dando lugar às grandes bandas de rock progressivo como Yes, Genesis, Pink Floyd, King Crimson e Jethro Tull. Ou até mesmo cedeu lugar para o hard rock e heavy metal do Led Zeppelin, Deep Purple, Kiss, Alice Cooper e Black Sabbath. Mas vieram os anos oitenta e novamente o conceito das duplas prevaleceu com casais festejados como o Eurythmics, de Annie Lennox e Dave Stewart. Teve ainda o lado new bossa do Everything But The Girl, com o casal Tracey Thorn e Ben Watt.
Como uma quebra aos preconceitos criados em décadas anteriores, surgiram também talentosas duplas gays que abriram espaço e conquistaram o respeito do público com cabeças criativas como o Soft Cell, de Marc Almond e Dave Ball, ou mesmo o Yazoo, de Vince Carke e Alison Moyet - que depois virou o Erasure, de Vince Clark e Andy Bell -, o The Communards, de Jimmy Somerville e Richard Coles, e os famosos Pet Shop Boys, de Chris Lowe e Neil Tennant. Até hoje não há pista no mundo que resista aos primeiros acordes de músicas como "Sweet Dreams", "Tainted Love", "A Little Respect" ou "West End Girls".

Falta ainda uma menção honrosa ao Tears For Fears, da dupla Roland Orzaball e Curt Smith, que produziram um dois maiores clássicos da década de 80, o álbum "Songs From The Big Chair", de 1985.
Esse conceito mais synth pop e eletrônico foi a tônica dos anos 80. Vieram os anos 90 e pouco disso sobreviveu, dando lugar novamente às bandas e trios. Na virada da década fomos pegos de supresa com uma dupla de Detroit chamada The White Stripes, formada por Jack White na guitarra e vocal e Meg White na bateria. A princípio, todos diziam que eram um casal, mas depois tudo foi desmentido e ficou como se fossem irmãos. Independente do parentesco, o White Stripes revolucionou o conceito das duplas a partir do primeiro disco, em 1999. Muitos perguntavam: "Como um duo de guitarra e bateria consegue produzir tanto barulho ao vivo?". É simples: Jack White é um dos guitarristas mais criativos da nova geração e faz coisas incríveis em seu instrumento, Meg White está longe de ser a melhor baterista da nova era, mas como dizem os músicos "ela segura a onda".
Esse foi o segredo de seis espetaculares discos lançados até agora pelo White Stripes. Jack White é um músico inquieto e sempre criativo, fez projetos paralelos bem sucedidos como o Raconteurs e atualmente se apresenta com sua nova banda The Dead Weather, que conta com Alisson Mosshart (da dupla The Kills) nos vocais. O multi instrumentista Jack White dessa vez rege esse projeto lá atrás na bateria. Isso não significa que o White Stripes acabou, a dupla promete disco novo no ano que vem. Da mesma forma o The Kills, da guitarrista e vocalista Alisson Mosshart e do batera/guitarrista e vocalista Jamie Hince, que continuam na ativa.

No ano passado, a sensação das duplas veio de Manchester, na Inglaterra, com o duo The Ting Tings, da guitarrista e vocalista Katie White e do baterista Jules de Martino. O disco de estreia da dupla "We Started Nothing" foi um dos mais vendidos e mais tocados na Inglaterra em 2008. Do lado norte-americano a dupla MGMT, formada por Ben Goldwasser e Andrew Van Wyngarden, romperam a barreira do alternativo e invadiram as rádios americanas com o álbum "Oracular Spetacular", um dos discos mais elogiados do ano passado.
Outra dupla norte-americana bastante elogiada no ano passado foram os californianos do No Age, que se apresentam em São Paulo no dia 6 de junho, no Clash Club, no bairro da Barra da Funda. Formada por Dean Spunt e Randy Randall, o No Age lançou em 2008, pela gravadora Sub Pop, o aclamado álbum "Nouns". O No Age é um duo lo-fi experimental de guitarra e bateria e prometem fazer um dos grandes shows dessa temporada.
Minhas descobertas mais recentes em termos de duplas foram o Japandroids e o The Big Pink. O duo canadense Japandroids faz uma som garage rock de guitarra e bateria inspirado até em White Stripes, mas com muitas referências de Stooges e Sonic Youth. O álbum de estreia dos garotos de Vancouver chama-se "Post Nothing". Nessa mesma onda, vale citar a duplinha de New Jersey que atende pelo delicado de Gay Blades. Já o The Big Pink é um duo londrino formado por Robbie Furze e Milo Cordell, que se dividem nos teclados e nas programações eletrônicas, criando os sons mais intrigantes dessa nova geração britânica.
E por fim, o Tetine, uma dupla brasileira que faz sucesso lá fora entre os independentes, mesclando ritmos brasileiros com música eletrônica. O duo paulista formado por Bruno Verner e Eliete Mejorado, começou em 1995 e já lançaram vários discos, além fixarem residência na Inglaterra. Vivem excursionando por toda Europa, EUA e Japão, e recebem altos elogios da crítica britânica. Em junho e julho a dupla excursiona aqui pelo Brasil. Em tempos de crise, trabalhar em dupla parece o melhor negócio, as despesas e os lucros são dividos pela metade e tudo fica mais fácil, só depende da criativida de cada um.
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| Kid Vinil é músico, jornalista e radialista. Fez parte do grupo Magazine, apresentou e produziu programas de rádio na 89FM e Brasil 2000. Apresentou o programa "Lado B", na MTV. Foi Diretor Artístico Internacional das gravadoras Eldorado e Trama. |